segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Coliseu Figueirense

O interesse da população da Figueira da Foz pela festa brava levou a Santa Casa da Misericórdia local a construir, em 1850, uma praça de touros perto do Convento de Santo António. Mas as condições estavam ainda longe das ideais e um homem assumiu como sua a missão de alterar esse cenário dotando a cidade com um recinto à altura da aficcíon figueirense.

João Antunes Pereira das Neves, médico e aficcionado, uniu esforços com Aníbal Augusto de Melo e, em 23 de Março de 1895, ficou decidida a criação da Companhia do Coliseu Figueirense. A nova praça seria construída num terreno de Pereira das Neves.

A jovem cidade fervilhava de entusiasmo, na expectativa de um novo espaço de lazer que representava, ao mesmo tempo, um potencial de crescimento económico numa cidade castigada pela recessão.

Tanta era a ansiedade que a obra se fez em tempo recorde. Em apenas cinco meses a praça estava pronta a ser inaugurada. A primeira tourada foi marcada para 25 de Agosto de 1895.

Mais de seis mil pessoas fizeram questão de assistir à exibição de Alfredo Tinoco da Silva, um reputado cavaleiro a quem coube a honra de encabeçar o primeiro de muitos cartéis.

As tardes de tourada traziam à cidade aficcionados de todos os cantos do país, e também muitos espanhóis. Relatos de épocas recuadas afirmam que as ruas da Figueira se transfiguravam quando havia corrida, enchendo-se de senhoras bem vestidas e cavalheiros de flor na lapela.

Ao longo dos anos, nomes como Ribeiro Telles, Fernando Salgueiro, Manuel dos Santos, Manuel Conde, Conchita Cintrón, Ricardo Chibanga e Nuno Salvação Barreto escutaram os passodobles toreros, tocados pela “Figueirense” e “Dez d’Agosto”, filarmónicas que durante décadas abrilhantaram os espectáculos de touros.

A pé ou a cavalo, viveram-se tardes e noites de grande aficcion no redondel da Figueira da Foz.
Concertos, festas temáticas e gastronómicas, arraiais, eventos religiosos e desportivos aconteceram também no Coliseu Figueirense, com a arena sempre cuidada por Ilídio Vitorino.
Para as memórias da Figueira antiga recorda-se ainda o duo de acrobacias tauromáquicas de Júlio Carvalho/Sebastião Monteiro.

De antigos directores do Coliseu Figueirense, recordam-se nomes como Carlos da Silva Pestana, António Mendes do Amaral, Jaime da Silva Viana, Luís Viegas Nascimento, Vítor Manuel Figueiredo Pais, Francisco Marçal Périe, Vítor Filipe Falcão Pais, Abel Francisco Machado, entre muitos outros que já partiram.

Depois de profundas obras de remodelação nos anos 50, a Praça de Touros da Figueira foi recentemente alvo de novas actualizações. A actual Administração (constituída por António Miguel Amaral, Fernando Nogueira e Silva e António Jorge Lé), investiu fortemente na conservação daquela que é uma das mais bonitas praças do país: o Coliseu Figueirense